quinta-feira, 16 de julho de 2015

De monge ao alcoolismo!

Hoje foi dia de vestir o avental, atar o cabelo, tirar os sapatos e dedicar-me às tarefas domésticas. Talvez não.
Foi dia de lavar a roupa. Das inúmeras barracas que há por cá com um cartaz a dizer: "Laundry, 1 kg - 1 dolar", escolhi aquela que dizia "1 kg -2 dolar". Na verdade, escolhi a única onde vi maquinas de lavar a roupa. Acabei também por pagar um extra pois deram-me a opção de fazer uma máquina apenas com a minha roupa, sem misturas. Qual foi o resultado? Eu pagava para vos conseguir responder a isso neste momento mas ainda não sei. Fiquei de ir buscar a roupa apenas amanhã e, por esta hora, devo ter a roupa estendida no meio da rua misturada com muitas outras. Um estendal colocado numa rua cheia de terra/lama, e onde a quantidade de pó não permite que a atravesse de bicicleta sem os óculos de sol ou sem começar a chorar. Ainda assim, foi o melhor que encontrei e, com tanta roupa linda que por cá existe à venda, não devo estar preocupado...
Também foi dia de pedir a limpeza do quarto. Lençóis lavados, cama feita e chão varrido! A bicharada continua a fazer-se sentir neste quarto (afinal não podia dormir sozinho) mas creio que em menor quantidade...
Por falar na bicharada... Saí à rua sem repelente (Mary, foi puro esquecimento e acredita que não volta a acontecer), o resultado está à vista. Muita comichão e aquela sensação de que mais uma semana aqui estou uma autêntica bifa inglesa após 2 dias no Algarve. Todo ele vermelho, não por culpa do sol, mas devido ao acumular de picadas... Só no pé direito, conto onze!
Na instituição consegui mais um objectivo, já não chove na sala de aula. Hoje, por cima da barraca que vos mostrei ontem, os meus queridos alunos colocaram umas placas de metal. Dei por mim em cima do "telhado" a montar aquilo e, claro está, a testar a impermeabilidade da nova tecnologia com as gotas de suor que me escorriam do rosto.
No fim da aula fiquei a jogar à bola com os rapazes. As raparigas assistiram e fizeram uma claque. Enquanto a bola rolava, elas alegremente gritavam em conjunto: "teacher Zé, teacher Zé". Que bem que sabe ouvi-las! Com tanto entusiasmo vindo da bancada, acabei por me trocar todo com a bola nos pés, esbardalhei-me no meio no chão e... menos uns calções. A Luísa que me desculpe a costura que vai ter que fazer, mas foi um bom momento de comédia naquela instituição. O teacher estendido no meio do chão com os calções rasgados! O que eu não dava para ter visto um teacher meu nestes preparos na minha infância.

À noite, quando sai, tranquilamente e sozinho, para jantar, o inesperado aconteceu. Havia festa dos tuk-tukers locais no hostel ao lado. Entrei, sentei-me, ofereceram-me umas quantas cervejas, um vinho "kangaroo reserve" e fui praxado. Apertaram comigo para comer um insecto. Não sei se estava morto ou vivo, era pequeno (formato de uma barata mas com metade das dimensões) e, simplesmente, fechei os olhos, abri a boca e pimba, cá para dentro. "He is a good man" foi a reacção e aquilo até que nem era mau de todo. Come-se como quem come um tremoço a acompanhar a imperial.  Por falar em imperial, a cerveja daqui também é boa. Entretanto fui conhecendo os tuk-tukers com as suas historias inacreditáveis... Um deles foi monge nove anos, actualmente é um tuk-tuker alcoólico. Diz-me que a vida de um monge consiste em não fazer nenhum, meditar a tempo inteiro. Têm comida feita, cama feita e a sua função é apenas meditar e lidar com pessoas desesperadas. Por outro lado, a vida de tuk-tuker é diferente... Consiste em beber, questionar todo e qualquer turista com um "tuk-tuk sir?" e conduzir. 
Mudou radicalmente de vida de um momento para o outro. Eu, ao menos, demorei 26 horas (tempo que demorei até cá chegar) a fazê-lo!


6 comentários:

  1. Vou-me dedicar à apanha de gafanhotos, quando cá chegares vais ter um "pitéu" de sonhar por mais. Mas é só para ti....

    ResponderEliminar
  2. Esse ecossistema é fantástico ! Podes ir para a cama com uma cerveja, ligar a Tv para ver a bola e vais caçando esses aperitivos vivinhos e crocantes, nem sujas louça nem nada... Relativamente à roupa que tinhas, repara no tempo do verbo; assim que topares com um índio de camisa Boss ou polo RL, ficas a saber que já ficou seca, mas também que deverás ir ao mercado ainda esta manhã, comprar roupa interior. Sim dessa mesmo que não compraste ontem porque achavas que te iria arranhar os ditos... paciência, depois de uns dias já nem sentes, os ditos, claro. Já agora, quando fores pagar, diz-lhes que o teu tio na Europa lava 20 kgs por 10 dólares, com Wi-Fi amaciados e música ambiente. Parece-me cara a cena da lavagem por aí. Bom, vou deitar. Ah e uma coisa, arranja-me lá um emprego desses de Buda ou meditação ou mesmo só de Coach para desesperadas e deprimidas, mas com cama, mesa e roupa lavada. Vou procurar vôo no booking. Cuida-te.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tio, a roupa chegou lavada, cheirosa, passada e dobrada. Talvez seja por isso que se pague mais por cá. Quanto aos ditos cujos: hey hey hey, bem-vindo ao Cambodja. Aqui faz-se e anda-se como se quer e andar à caçador é uma opção extremamente viável, talvez libertadora até!
      Entretanto lamento informar, mas para virar monge é necessário rapar o cabelo.. Tia Maria acho que já o convenci a desfazer-se daquela cabeleira!!!

      Eliminar
    2. Se o conseguires convencer dou o que tu quiseres ...

      Eliminar
  3. Bjs para as info excluídas se aparecerem por aqui... Não ter Gmail... Esta gente respira ???

    ResponderEliminar