É oficial, já tenho património no Camboja. Dado que o
ferrari português teve que ficar parado na garagem, arranjei um novo por cá.
Por uns incríveis 20USD, já tenho bicicleta “nova”. Na verdade, está a cair de
podre e ao fim de andar 50 metros nela já eu estou cansado e, claro está, a
transpirar que nem um cavalo mas chega perfeitamente.
Também já tenho quarto
novo. Nunca falei disso não fosse algum de vocês, minha família e meus amigos, vir
cá roubar-me os meus preciosos dólares ou o passaporte que tanta falta vai
fazer para voltar para casa, mas o meu quarto antigo não era muito dado à
segurança. Além de ser nos rés-do-chão e a janela da casa de banho ser aberta,
o que me fazia passar as noites a ouvir a bicharada, era a primeira porta
quando se entrava na guesthouse e eu não a dava trancada. Fantástico certo? Já
passou. Agora já estou noutro, tem casa de banho, ar condicionado (o meu melhor
amigo a par do fenistil), uma cama e uma mesa-de-cabeceira. Armário para guardar
as coisas já era pedir demais, fica tudo entre a mala e o chão.
Hoje também me desfiz de coisas que tinha trazido. Foi dia
de levar uma bola de futebol para as crianças (Obrigado Tia Maria pela oferta)
e à tarde lá a estreámos numa peladinha… descalços. Eu nem metade do jogo
joguei, mesmo assim bebi 1 litro da água e transpirei mais que eles todos
juntos.
De manhã, vimos um filme. Deixei-os escolher aquele que
quisessem e foi um tal de BINGO. Não conhecia mas eles fixaram-se naquilo e iam
cantando algumas músicas. Um espectáculo como podem ver…
Partilho também uma foto que mostra como as crianças, mesmo os mais pequeninos, andam mesmo no topo das árvores a saltar de ramo em ramo. Eu bem tentei entrar na brincadeira mas só ganhei uma cabeçada daquelas enormes num ramo que me deixou a ver à roda e me fez sangrar um bocado. (Nada demais pais, não se preocupem. A água fria resolveu).
Por fim, e porque este blog deve servir para partilhar o
melhor e o pior, vou relatar uma situação que me deixou o dia inteiro abananado.
Todos os dias na instituição vejo as condições que os miúdos têm, os quartos
onde dormem, a casa de banho que usam, as roupas que vestem e tudo mais. Além
disso, vejo-os felizes e contentes e, sem dúvida que a maneira mais fácil de
lidar com a realidade é focar-me nessa alegria que todos eles transportam
consigo e “ignorar” tudo o resto. Contudo, hoje não consegui tal proeza. A meio do filme da manhã,
disse que ia buscar uma água e perguntei se eles também queriam beber alguma
coisa. Após conferenciarem na língua local, a que fala melhor inglês diz-me que
para beber não queriam nada mas que tinham alguma fome. Caiu-me tudo naquele
momento e, como é óbvio, peguei na bicicleta e fui comprar pacotes de batatas
fritas (foi a primeira e única coisa que encontrei). Não há palavras que
descrevam a alegria deles quando me viram chegar com 2 sacos na mão e a maneira
como me agradeceram mas fiquei a pensar na vida daqueles miúdos. Lembram-se
ontem de ter comentado que fui acordar alguns miúdos e eles em 2 minutos
estavam prontos para a aula? Pois bem, é porque ali não existe pequeno-almoço...
É bom que tenhas contato com realidades diferentes das que estás habituado.
ResponderEliminarCuidado: macaco velho a aprender como se fosse novo pode surgir alguma situação que a água fria não resolva.
bjs
E a foto da "nova" bike ?
ResponderEliminarAcho sinceramente que não ias querer ver :P
EliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarA piramide de Maslow, ensinada na katólika, garante que é impossivel alguém se saciar intelectualmente sem ter as necessidades básicas, como a alimentação, satisfeitas. Porém a natureza humana ensina-nos que não é assim, até, ou, especialmente, uma criança, consegue gerir as escolhas entre alimentar o corpo ou satisfazer o intelecto e as emoções de forma surpreendente, baralhando quaisquer prioridades defendidas por académicos. Assim avançou a humanidade através dos tempos, e assim deverás tentar extrair o máximo de cada um desses putos. Vais ver que se superam, e te fazem superar a ti também.
ResponderEliminarO que o tio foi buscar... Btw, a pirâmide de maslow para a maioria do universo católica faz todo o sentido. Por lá as necessidades básicas são mais que satisfeitas e não com qualquer coisa, até porque naquele bar quem pede uma sandes de delicias do mar é alvo de gozo pelos colegas dado que delicias é o marisco dos pobres. Gostava de ver a reacção destes putos a uma sandes dessas...
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