terça-feira, 21 de julho de 2015

Há budas por todo o lado

Tal como combinado, os meus alunos hoje mal abriram o caderno. Foi dia de aprender alguns verbos, a dizer e escrever. Foi divertido. Se alguns era demasiado complicado explicar o seu significado com o pouco vocabulário que eles têm (o meu também não é abundante), outros era demasiado fácil. “Jump” lá saltava o teacher Zé, “walk” lá andava o teacher Zé, “run” lá corria o teacher Zé, “hide” lá se escondia o teacher Zé, “touch” lá lhes ia tocar o teacher Zé, “clean” lá tirava os bichos e o pó de cima da mesa o teacher Zé, “drink” lá bebia água o teacher Zé, “laugh” lá mandava uma gargalhada o teacher Zé, “smoke” lá… estava a gozar!! Apesar dos incríveis 50 cêntimos por maço de tabaco, mantenho-me não fumador. Assim se fez a aula, verbos no presente e no passado e eles pareciam estar a gostar. No fim já sabiam tudo, estou para ver amanhã…

Entretanto a caminho da instituição todos os dias passo pelo circo local… Fui  procurar na net e aquilo parece ser incrivelmente bom: atracção nº 1 no TripAdvisor e inúmeras avaliações positivas com muita gente a afirmar que está ao nível do cirque du soleil. Decidi que um dia vou ao circo. Contudo, já que não os posso levar ao estádio da luz, acho que era um óptimo programa para fazer com os meus pequenos benfiquistas. Eles adorariam ir e eu adoraria levá-los. Fui-me informar de preços, 18 dólares para mais 12 anos, 10 para crianças dos 5 ao 9. É estupidamente caro e, para a minha carteira, é um sonho impossível de concretizar dado que seríamos 15. Ideia? Fui bater à porta do circo e explicar a situação, ganhei o mail do responsável pelo circo. O mail a saber que tipo de condições especiais é possível ter já foi enviado, aguardo resposta na esperança dos “palhaços” terem a mesma boa-vontade que o meu Benfica teve com os equipamentos. Seria espectacular também escrever um hino aos palhaços…


Por falar em posts antigos, na semana passada com a exclusividade dada à minha mãe deixei passar um acontecimento que merece ser partilhado. Naquele dia percebi que estava mesmo num mundo à parte. Ando no mundo dos budas. Budas deitados, budas sentados, budas de pé, budas de todas as cores, budas de todos os tamanhos, budas a fazer o pino, budas assim e assado, há budas por todo o lado! E a verdade é que tal se justifica facilmente com a dedicação a buda dos locais.  Numa das minhas voltas encontrei um templo, com muita de gente por lá, um fumo enorme à porta e uma quantidade enorme de sapatos à entrada, tal não eram as pessoas que lá estavam dentro. Tirei os sapatos e entrei também… Inacreditável. À direita uns homens tratavam da musica ambiente, à esquerda uma fila de monges cuja função era receber uns “biscates”, dizer uma lenga-lenga (os meus conhecimentos de khmer ainda não dão para decifrar) em coro e sempre com a mesma cara de pau e mandar agua para as pessoas. As pessoas, essas, de joelhos lá faziam umas acrobacias bonitas de serem vistas. Ao centro, um “cinzeiro” enorme onde os aficionados iam colocando as velas já usadas. Depois, já dentro da “casa” que existe ao centro do templo, eram velas por todo o lado, um calor ainda mais infernal que o da rua, caixas enormes completamente cheias de notas para oferecer a buda e filas de pessoas que pretendiam ir molhar os pés e as mãos dos budas que estavam no altar. Surreal mas muito, muito engraçado. (tirando a parte das caixas cheias de notas, ainda que umas valham 25 cêntimos, que neste país então, é só muito estúpido!). Partilho fotos e vídeos, espero que gostem tanto como eu gostei de andar lá no meio.












1 comentário:

  1. Ainda bem que foste aos peixes com os pézinhos! Pode ser que eles tenham comido os "bichinhos" do pé de atleta que apanhaste na ida aos budas.

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