quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Estreia nos revaldos cambojanos!

Esforço inglório o de madrugar hoje. Fui cedo para a Kilt como combinado, tínhamos uma obra para fazer. Contudo, estamos na rainy season e hoje fartou-se de chover. O normal é uma chuva forte ao fim da tarde, serve para lavar a roupa e o suor acumulado durante o dia. Hoje de madrugada chovia. Com chuva, não há obra.
Acabei por ir cedo para a Kilt para nada. Ou melhor, para começar o dia da melhor forma. Estavam lá todos os pequenos grandes benfiquistas quando cheguei. Há melhor maneira de começar o dia que ver aqueles sorrisos na minha direcção e ter abraços à chegada? Uns começam as aulas as 7h, eram 8h ainda andavam por lá. Pensei em chatear-me com o atraso mas estavam a comer o arroz tão pacifica e tranquilamente que deduzi que era normal. Na verdade, nunca vi um cambojano com pressa ou stressado. Só os vejo a chegar sempre atrasados.
Quem teve escola seguiu para a escola, quem não teve ficou num dos quartos. Eu, 5 pequenos grandes benfiquistas, um dos bebes e o gato. Entre desenhos, fotos e parvoíces com o gato passámos o tempo até a chuva passar. Pelo meio o Sarath mostrou-me como tinha salvo o meu desenho. Há uns dias fiz uma competição e pus-me a desenhar com o mais velho. Perdi, ficou nojento. O Sarath viu, gozou comigo e deu-lhe um toque de artista à bodega que eu tinha feito. Pintou e ofereceu-me. Mais um para a parede do meu quarto. Mãe, é desta que a bandeira enorme do Benfica sai da parede. Lamento informar mas vou trocar essa obra de arte por várias, desenhos atrás de desenhos. Síndrome do Peter Pan, nada a fazer…









Seguimos então para as obras da casa nova. O Sarath quis ajudar e pediu-me para vir também. Aquele só não está comigo quando não pode. Fomos os 3, eu, ele e o mais velho. No caminho eles pararam novamente no local do crime, a barraca que fez passar um dia com febre e a despejar. Fomos cantando as músicas do Benfica. Eu cantava/gritava como se a estrada para os templos se tratasse do estádio da luz. Eles tentavam imitar. Depois fizeram-me um pedido daqueles que mexem cá  dentro. Pediram para antes de ir embora lhes oferecer uma foto minha, só eu sem nenhum deles. Dizem que querem guardar e meter na parede do novo quarto deles, para se lembrarem todos os dias do friend Zé. O Sarath, o mais desenvergonhado que diz tudo a toda a gente, acabou a conversa dizendo que eu ia para Portugal mas ficava no coração dele. Dei-lhe um abraço e a certeza que eles todos também ficam no meu. E se ficam…

Falando da obra, escavar, escavar e escavar. Fomos rodando entre os 3, um calor infernal e… objectivo cumprido. Tanque submerso. Pelo meio comemos sandes de atum (levei as latas e o pão, já não me enganam nos mercados locais), bebemos sumos e muita, muita água.







Voltámos então para a Kilt. Por coincidência eram horas das meninas saírem da escola. Decidi passar por lá e fui busca-las à escola. Como um pai faz a um filho. Elas adoraram e, no regresso a casa, em vez de 3 na mesma bicicleta, uma foi na minha. Já tem pneu novo, já posso dar boleias. Volta e meia, a Sokim dava-me abraços enquanto eu pedalava.
De regresso à Kilt, foi tempo da "mostarda chegar ao nariz", mais uma vez.. Tinha combinado com a minha colega que ela dava as aulas da manhã para eu ir para a obra. Ela simplesmente não apareceu, respondeu-me que ficou antes a dormir. Passei-me, os miúdos não podem deixar de ter aulas. O Bel deixa-nos fazer tudo, mas as aulas são sempre a prioridade, tal como ficou provado ontem. Não sou ninguém para lhe dizer o quer que seja. É voluntária, ninguém lhe paga para trabalhar mas às tantas, é brincar com quem trabalha e é brincar com os miúdos. Hoje pedi apenas para me avisar quando decidir ficar a dormir que eu vou para as 6h para a obra e regresso as 9h para dar a aula. 
Desabafos à parte…Hora de almoço, também ela a correr. Comer, meter a roupa a lavar (pela última vez), mandar arrumar o quarto, passar pela farmácia (uma das raparigas estava com dores de garganta de manhã, à tarde a arder em febre) e pedalar `meia hora à procura de um campo de futebol que não encontrei. Safou-me o mais velho que depois da aula da tarde, e debaixo duma trovoada, me foi mostrar de bicicleta onde era o campo onde pouco tempo depois, me estrearia nos relvados.
Sim, 11 cambojanos e um extra-comunitário (eu) tivemos hora e meia a jogar futebol. A chuva felizmente não parou de cair, de outra forma não suportava o calor. Eles são uns nabos, super trapalhões mas correm, correm tanto. Não os dava apanhados. A equipa adversária estava equipada a rigor, camisolas da selecção cambojana. Eu adorei o jogo e percebi que isto de ser pedreiro, pedalar para todo o lado e passar o dia a tentar ter mais energia que 14 moços pequenos juntos me deu uma resistência invejável. Eles gostaram de jogar com o português, afinal sou do mesmo pais que o Ronaldo. Pediram-me o numero e sexta-feira, em principio, há novo jogo. Este foi combinado com o professor de Khmer duma aluna minha que conheci no mercado. Muito simpático, convidou-me. A rapariga à tarde estava radiante por saber que os dois professores dela iam jogar futebol juntos. Eu também estava todo contente.
Faço o que gosto por cá, passo o dia numa correria, estou integrado e sou adorado por 14 pequenos grandes benfiquistas. São como que irmãos mais novos para mim, apenas mais escuros e muito mais divertidos e suportáveis que a irmã mais velha. Eles idolatram-me como mais ninguém idolatra, eles precisam de mim como mais ninguém precisa. Não quero ir embora...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

É oficial, começaram as obras

É oficial, começaram as obras.
O plano inicial, combinado ontem, era começar as 9h da manhã de hoje. Dado o atraso de mais de uma hora da minha colega, tive que ficar eu a dar a aula (o Bel, felizmente, dá prioridade sempre às aulas) da manhã e o plano ficou adiado para a 1h da tarde. Seja a que horas for, o calor é enorme. À 1h da tarde andar feito pedreiro, imaginem o que foi. Águas atrás de águas, sumos atrás de sumos.
Pelo meio fui convidado para ir almoçar ao touch a life. Há muita gente a ir embora esta semana pelo que houve almoço de despedida. Fiquei lisonjeado com o convite. Dos presentes era o único que só lá vai aos sábados, falhando os 3 dias da semana. O almoço estava óptimo e o ambiente é porreiro. Pena ter feito só a visita de médico - não houve tempo para mais. Segui para a Kilt e da Kilt para a casa nova com o mais velho e o Bel.
Pusemos então mãos à obra, eu e o mais velho. Primeiro tivemos que transportar os tanques da imagem. Parece fácil, só empurrar e meter aquilo a rebolar. Contudo, tínhamos que contornar as árvores e virar uma coisa daquelas tem muito que se lhe diga. Pior era quando aquilo parava num buraco. Esforço de loucos, lá metemos os 6 no local destinado às casas de banho. De seguida, foi altura de colocar um de pé, também não foi fácil. Pior foi quando o Bel só se lembrou de medir aquilo depois e decidiu que estava um metro deslocado. Mais empurrões para acertar, umas bolhas e arranhões nas mãos, e feito. Às tantas só via pingas de suor a cair-me da cara, a minha t-shirt estava toda ela ensopada. O mais velho ria-se mas, apesar de mais habituado ao calor (o Verão no Alentejo afinal não é quente), estava igual. 
O pior veio depois.
Tanque de pé, era hora de enterrá-lo. À vez, entre mim e o mais velho, saltávamos lá para dentro e íamos escavando. Trabalho inglório, por cada meia hora a escavar aquilo parecer descer nem uns 10 cms. Ainda assim, até me diverti e testei, mais uma vez, os meus limites. O trabalho ficou a meio, como podem ver na foto. Hoje é dia de marcado pelo que os pedreiros, depois de um banho, viraram vendedores. A obra continua amanha às 6h da manhã. Parece uma má hora dado o cansaço que tenho em cima mas entre isso e o calor, prefiro acordar com as galinhas.


























No mercado, despachei mais umas encomendas (obrigado a quem ajuda) e batemos o record das vendas. 70 dólares que deixaram o Bel maravilhado. Disse-me que já tinha dinheiro para comprar arroz e carne para comerem. Sim, o Bel estava no mercado porque hoje, após chegar da obra e estar um bocado a brincar com as mais pequenas na Kilt, também elas quiseram ir vender no mercado. Lá arranjámos maneira de as levar a todas, talvez por isso o record de vendas. Foi muito bom vê-los todos juntos ali a vender. Melhor foi vê-los todos sentados à mesa a comer as pizzas que lhes ofereci.




E num dia em que acordei cedo para ir dar a aula, findada a aula sai disparado para o almoço, do almoço para a Kilt e dai para as obras. Fui burro de carga até sair disparado novamente para a Kilt, da Kilt para o mercado e do mercado para o jantar onde penso no que dar amanhã nas aulas e no que escrever no blog, houve tempo para me lembrar várias vezes dos meus amigos. Ao meu amigo Miguel que está prestes a embarcar para a aventura de Erasmus, desejo toda a sorte do Mundo. Estava a par do jantar surpresa e lembrei-me muitas vezes daquilo que estava a perder. De todos os programas de verão, deve ter sido o que mais me custou não estar presente. Mais uns meses sem te ver, vale-me a certeza que quando voltares estaremos os dois diferentes depois destas 2 experiências mas o que importa estará igual. Continuarei a ganhar no ténis e a marcar mais golos que tu.






segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Dia no campo!

Dia completamente diferente do habitual. Dia passado no campo, dia para recordar o meu Alentejo. Substituindo as enormes palmeiras pelos chaparros e os búfalos por cavalos, seria a mesma coisa. Talvez não…





O meu aluno mais velho na sexta-feira, no meio da canseira de pedalar até à dos irmãos do Sarath, teve a alembradura de me perguntar se eu não gostava de conhecer os seus pais. Notei no rapaz uma vontade imensa de me levar a conhece-los e que me assomasse ao sítio onde ele cresceu. Vê-me como um amigo, onde é que o professor já vai. Eu não havera de querer, disse que era um gosto conhece-los e fazia questão de lhes falar do filho porreiro que têm. Hoje às 8h da manha fomos então à dos pais dele. Os outros dois mais velhos, de 16 e 18 anos, também quiserem vir. Uma mota para cada dois e abalámos.
Mais de 2 horas de caminho. Estava uma grande calma que me valeu um escaldão na cara. Escusado será dizer que foi impossível voltar a horas das aulas da tarde dos rapazes, pelo que, sem saber, incentivei à falta. Eles ficaram todos contentes e um dia não são dias. Hoje ninguém lhes moeu a cabeça na escola de Khmer.
Saímos da cidade (fiz um video com  saída, imaginem o centro da cidade), desapareceram as casa de tijolo, os restaurantes e os turistas. A primeira hora de viagem fez-se bem, estrada alcatroada. É a que liga Siem Reap à capital, pelo que deve ser a melhor de cá (ainda que má e perigosa). Odepois, o alcatrão deu lugar à terra e a ultima meia hora foi no meio do mato, num caminho super estreito onde os ramos das árvores nos iam batendo nos cornos. Tivemos que passar algumas pontes que não eram mais que uma tábua de madeira. Calhando o rapaz virar um bocadinho o volante e acabávamos os 3 dentro da agua, eu, ele e a mota. Apesar do “very difficult” e “very dangerous”  que ia ouvindo do rapaz, correu tudo bem e nunca me senti assaranpatado.
Planícies enormes, palmeiras enormes, cheirava mal que tresanda. Vacas, porcos e búfalos no meio da estrada, uma barafunda. Sim, búfalos. Aquele animal que está no top 10 dos mais perigosos, estavam ali escarrapachados à minha frente. Segundo os miúdos, se não tivermos nada vermelho e não nos amangarmos com eles, corre tudo bem. Assim foi.
Pelo caminho fizemos 3 paragens. No posto de gasolina fantástico que há por cá. Na casa da mãe da Sokim, uma rapariga também da Kilt, para a visitar a ela e ao irmão recém-nascido. Muito simpática, aquela mãe perguntava-me se a filha estava a aprender inglês e ouvia o que eu dizia nas aulas. A ultima paragem foi num mercado local. Fiz sucesso, eu passava e tinha tudo o que era pessoas a olhar para mim e a sorrir-me. Por certo nenhum estrangeiro anda por lá. Ficou tudo almareado da cabeça e a gozar com o tamanho do meu nariz. Por lá, vendiam muita coisa nojenta, umas bodegas incluindo cobras vivas. Comprámos apenas sal e açúcar para o rapaz oferecer aos pais e uma abóbora para o almoço.

O resto do almoço consistiu em arroz e vegetais apanhados no campo. Muito bom. Os pais dele não falam uma palavra de inglês, eu sei umas 20 em khmer mas o dialogo fez-se. A casa é pequena, daquelas no primeiro andar. Dormem numa esteira no chão e tem a cozinha que é o que se vê. Chega-lhes e vivem bem ali, pelo menos comida não falta com o que plantam. O mais velho também me contou que, quando falta comida na Kilt, vai a casa buscar a rede e pesca qualquer coisa por ali. Hoje não pescámos, mas lavrámos a terra. Que canseira.


Também brincámos com os gatos, os cães, as galinha, as cabras, as vacas e… abelhas.
Esta história acho que ninguém acredita, nem eu acredito. Valem as fotos para provar. Enquanto andávamos por lá, os meus alunos encontraram um enxame. Decidiram mostrar-me, eu decidi tirar a foto. Após tirar a foto com centenas de abelhas, quando largamos o ramo da árvore elas saíram disparadas. Eu e os 3 grandes benfiquistas (estes não são pequenos) corremos como se não houvesse amanhã, todos alvoreados. Ainda estou para perceber como é que nenhum foi picado. A brincadeira não ficou pela foto, eles são chalados da mioleira e queriam o mel. Eu acobardei-me e fiquei a assistir. Eles amanharam-se para o ter. De faca e isqueiro na mão trataram daquilo. Um ataca as abelhas com a faca, o outro fez o fogo para a assustar e a verdade é que elas fugiram todas e não picaram nenhum. Ficaram o mel e as abelhas bebés. Essas são inofensivas, cheguei a ter várias na mão e nada aconteceu. O mel, estava óptimo e foi enfardado pelos 4. Inacreditável.
















À tarde pusemos-nos na alheta e, de regresso à Kilt, estavam por lá os miúdos todos. Estava cansado mas ainda houve tempo para brincadeira. Fiquei chateado porque as aulas de inglês supostamente tinha delegado à outra voluntária que à tarde se baldou sem justificação e os deixou sem aulas. O chateamento passou quando vi o caderno da Sochea com 10 a matemática. A ajuda resultou e do 2 subimos para o 10 (nota máxima). Fiquei orgulhoso e radiante, ela também estava toda contente...

domingo, 23 de agosto de 2015

O arroz está para o cambojano como o pão para o alentejano

Ontem foi dia de ir para os copos com os outros portugueses do touch a life. Diverti-me à grande, depois duma tarde daquelas, veio mesmo a calhar. Hoje o dia começou tarde e com uma terrível noticia. O regresso a casa ontem foi de tal forma atribulado que hoje, olho para a minha bicicleta e o pneu detrás, que já andava a dar sinal há muito tempo, estava todo rebentado. Impossível pedalar com aquilo assim, lá tive que ir tratar de resolver o assunto. Fiquei então limitado e passei boa parte do dia no quarto. Que remédio. Problem solved e já posso andar à abrir neste transito. Os miúdos, quando fui ter com eles ao mercado, também gostaram da bicicleta. Agora já se podem sentar na bicicleta do teacher Zé quando formos a qualquer lado.
Disse-lhes também que quando fosse embora lhes oferecia a bicicleta. O Sarath tem a dele toda partida. O Somen e o Sopan, de 10 e 11 anos, partilham a mesma. Foi com eles os 3 que falei e foram eles os 3 que, mais uma vez, me deram uma lição de cidadania. O Sarath diz que a dele ainda se aguenta e não quer porque depois os outros podem ficar chateados com ele. Mandou-me dar ao Somen ou ao Sopan. O Sopan disse para dar antes à Sokim, uma das raparigas mais pequenas que já sabe andar mas não tem bicicleta. Eu decidi que a deixava na Kilt e ficava para todos, usava quem precisasse quando precisasse. Em dono ficaria o Somen que, daqueles 3 é o que não tem e anda sempre à boleia do amigo. A resposta dele foi de ficar de boca aberta. Do nada diz-me para dar antes à mãe do Sarath, que fomos visitar na sexta. Os amigos já têm a que eu lhes comprei mas a senhora, ex-cozinheira deles, não tem e precisa. Um miúdo de 11 anos do nada, decide oferecer uma coisa que ele próprio não tem e também precisa à mãe dos amigos por achar que precisa mais que ele. Tudo dito sobre os pequenos grandes benfiquistas.

Entretanto, vou aproveitar o dia desinteressante para falar sobre a minha alimentação (ou falta dela) por cá. Tema que tanta gente me questiona.
Em Portugal comia a toda a hora, 7 ou 8 vezes por dia se fosse preciso. Aqui, como 3 e mesmo assim dou cabo da carteira (e dos intestinos!).
Siem Reap vive do turismo, há restaurantes por todo o lado. Porém os do centro e mais turísticos não são para a minha carteira. A minha carteira gosta é dos mercados e dos carros ambulantes com comida, cheios de moscas e que passam o dia ao sol. É barato e até consegue ser bom, mas é caganeira certa e sabida.


Para pequeno almoço já não sei que mais inventar. Já tentei leite com cereais mas, sem frigorífico, o leite ao fim de 2 dias está estragado. Tenho comido pão e água, nada mais. Qualquer coisa para meter no pão estraga-se com o calor ou chama ainda mais bichos ao quarto. O pão também não resiste muito tempo.
Almoço e jantar é quase sempre fora. A alternativa são latas de atum e já chega.
Por cá, os locais comem cedo. Eu também. Saio das aulas com fome e vou almoçar. Ao fim da tarde, 7h normalmente, também já estou a jantar. É o mesmo que dizer que ainda vocês não almoçaram, já eu estou jantado. A faca não existe. Quando há talheres (por vezes dão apenas pauzinhos) é colher e garfo.
E agora o que mais interessa, em que consiste a comida que meto à boca. Cão, insectos? Nada disso. 
Ao início não arriscava, vinha demasiado recomendado e andava sempre nas pizzas, cheeseburguers ou carbonaras que todos os restaurantes têm. Ao fim de uma semana fartei-me. Agora, como os portugueses que cá estão dizem, escolho sempre as coisas mais esquisitas da lista. Nunca mais pedi nada oriental, gosto das coisas locais. Gosto de experimentar tudo. Já tive surpresas desagradáveis, com pratos que tive que empurrar com água para ir para baixo. Já tive surpresas bastante agradáveis. Sopas e saladas já sei, não vale a pena tentar que vai ser mau. O resto, por norma, é bom. O picante é uma constante. O arroz está para o cambojano como o pão para o alentejano, sempre presente na mesa. O fried rice, spring rolls e noodles estão para o cambojano, como a açorda para o alentejano. Não são grande coisa, mas comem-se bem e como com bastante frequência. A fruta é outra. Vende-se por todo lado, assim como sumos. Manga, ananás, melancias, bananas (super pequenas) são, a par do passion fruit e dragon fruit, o que mais se vê. Estes dois últimos, é uma fruta que não há por aí mas com muita pena minha. É óptimo.
Seguem alguns exemplos daquilo que já mandei cá para dentro.